terça-feira, 15 de outubro de 2013

Entrevista com DJ Nezzo



Ademir Cavaleiro ou assim como ele mesmo se denomina DJ, MC ou até mesmo Bboy Nezzo, qual foi pioneiro em diversos pontos do Hip Hop no estado.
Natural de Porto Alegre, reside com sua família na Zona Sul da capital, pai de 9 filhos e 5 netos, divide a paixão da família com os toca discos, onde atualmente toca em diversos Bailes Blacks e eventos de Breaking por todo o Rio Grande do Sul.


Nest: Como você começou na cultura Hip Hop? 
Nezzo: Venho do Soul e do Funky desde os anos 70. Meu primeiro contato com a cultura foi através da música rap, caras como Dj Hoolywood, Blowfly, Spoony Gee, Fatback e outros,  que começaram a introduzir rimas nas bases musicais do funky original.
Mais tarde, quando comecei a entender de fato o que era a cultura e sua real dimensão , me tornei pioneiro em alguns pontos do Hip-Hop gaúcho, como exemplo:
Sou o mais antigo MC de Hip-Hop do estado, fazendo rimas e Rap ininterruptamente desde 1984; Sou um dos criadores da primeira crew de danças urbanas do estado Break Stones e da primeira crew de BBoys do estado Daredevils; Além de ganhar os primeiros campeonatos de grupo e individuais, e os primeiros campeonatos de DJs do estado. 

Nest: Quais foram suas influências?
Nezzo: Minhas influências iniciais foram Grandmaster Flash And The Furious Five, Treacherous 3 , Sylvia Robinson, Spoony Gee, Lee Scratch Perry, Fearless 4 ,Dj Jazzy Jeff And The Fresh Prince, Storm , Ivan , Kurtis Blow ,Phase 2, Eric B & Rakim , Mc Lyte , Ice T, Boogaloo Shrimp, Shabba Doo, Poppin Pete, The Lockers , Rock Steady Crew, The New York City Breakers entre outros. 

Nest: Como e quando você começou a tocar?
Nezzo: Meus primeiros contatos com os LPs aconteceram em família, pois meu pai tinha uma enorme coleção de LPs de gêneros variados, inclusive Soul e Funk. Ai quando comecei a frequentar e me apresentar nos bailes Soul/Funk no final dos anos 70, ficava fascinado pela arte da discotecagem. No início dos anos 80, comecei a comprar LPs, primeiro pelo amor à música, depois por hábito e também para tocar nas reuniões dançantes que aconteciam no bairro.
A partir disso, fui atrás também de toca-discos, e resolvi levar adiante a ideia de me tornar DJ. A primeira festa que toquei como profissional aconteceu no dia 1º de Maio de 1983 , no Grêmio Gaúcho (Gauchinho). De lá pra cá, foram inúmeras em vários lugares do país.

Nest: Falando de sua coleção de vinis quais são os principais e mais raros de sua coleção?
 Nezzo: Boa pergunta!!! Caramba, são tantos discos, e cada um com sua importância, que é difícil falar em raridades, mas tem alguns que são especiais e nem tão fáceis de conseguir, Como o Shine do Awerage White Band, o primeiro do Brass Construction que tem a música Movin , o Hot City do Gene Page, qual foi produzido pelo Barry White, o Soul Full Tapestay do Honey Cone, o The Love Unlimited Orchestra Presents Mr Webster Lewis, o Eau De Vie do Delegation , o Mandrilland do Mandril ,o primeiro da Pointer Sister, que tem a música Yes We Can Can, o Rythm Heritage, que tem o famoso tema do filme Haway 5-0, e vários outros.
Em termos de RAP, tenho os primeiros do Kurtis Blow, Eric B& Rakim, Mc Lyte, Anquette, Sugarhill Gang, Run Dmc, Byzmarkie, Whodini, Mc Shy D, Sir Mix-A-Lot, Dr Dre, Nas e outros. Como são muitos, tem alguns que descubro quando mexo nos arquivos.


Nest: Conte-nos alguma história inusitada que você teve em todos esses anos de garimpo?

Nezzo: Como também sou Beatmaker, vivo fuçando sebos atrás de discos para samples. Na realidade, todo DJ sério têm essa veia de garimpeiro. Justamente por isso, passei por várias situações na busca de material. Uma ocasião estava em Londrina para fazer um workshop de Turntablism. Fiz meu trabalho pela manhã e tinha a intenção de almoçar e dar um giro pelo centro da cidade, porém, uma quadra após o lugar em que tinha feito o trabalho, eu passei por um sebo. Resolvi apenas perguntar se tinha algo em vinil, um senhor que fazia o atendimento falou que tinha um porãozinho, mas estava muito empoeirado e talvez eu sequer conseguiria ficar muito tempo ali. Entrei as 11:30 e saí as 20:00, quando estava fechando, louco de fome, todo cheio de pó, teias de aranha, mas rindo sozinho com uns 20 LPs!!! Ganhei meu dia!!!


Nest: Um verdadeiro DJ de Hip Hop não vive longe dos b.boys, diga qual sua relação com o breaking atualmente e como tem enxergado a cena atual no estado?

Nezzo: Minha relação com o Breaking é permanente, pois também sou Bboy, atualmente deixo meu filho me representar nas Cyphers, mas o espírito da arte nunca morre. Uma das coisas que me deixavam inquieto quando fazíamos nossas cyphers nas festas Blacks é que nem todo DJ tinha o feeling para entender o que precisávamos em termos de sons. À medida que fui aprimorando minha vivência na cultura, comecei também a me preocupar e aprimorar minhas pesquisas musicais específicas para nosso elemento. Hoje possuo um “arsenal musical” que é permanentemente estudado e enriquecido para que, quando necessário, estar pronto para qualquer tipo de evento da dança. Nossa cena, em termos de Breaking, deu um tremendo salto, principalmente pelo intercâmbio de alguns que estão desbravando os campeonatos nacionais e internacionais, trazendo informações e compartilhando com todos que se dispõe a buscar essas informações. Por outro lado, ainda sofremos com os Bboys De Youtube, caras que não têm a capacidade de serem criativos ou os chamados “dançarinos de Hip-Hop”. Como se nossa cultura fosse a casa da mãe Joana, onde crianças assistem outras crianças que brincam de dançar SEM ENTENDER O QUE ESTÃO DANÇANDO, e chamam tudo aquilo que não compreendem de HIP-HOP.

Essa e mais algumas outras coisas fazem com que o cuidado com a arte e a informação tenha que ser redobrado. Mas graças a Deus que, a cada um comediante, tem dez vivendo a arte de forma séria e responsável.


Nest: Cite algumas das principais festas em que já tocou?

Nezzo: Foram muitas nesses 30 anos, tanto no estado, como fora dele. Mas algumas memoráveis foram no RJ, com o pessoal da Special Time, no Paraná na favela da Graminha em Guarapuava, em Pelotas no Sete de Abril em 1986 e em outras ocasiões junto com o pessoal do Hip-Hop Pelotense, e mais recentemente as batalhas Bboy Na Peleia, Battle In The Cypher, South Kingz e Battle Bboy Ljb Crew em Salto do Jacuí.


Nest: Como uma grande testemunha ocular dessas três décadas de cultura Hip Hop no estado, qual sua visão sobre ter uma festa como o Battle in the Cypher pro sul do Brasil?

Nezzo: Realização de um sonho, temos a oportunidade de viver o Hip-Hop em toda sua forma original durante vários dias, pois todas as atividades e os organizadores respiram o Hip-Hop. E tomara que cada vez se fortaleça mais, pois já é marco cultural de nosso estado!!!
 

5 comentários:

Nest Panos disse...

representando e fortaleecndo a anos a cena hip hop, respect!

Marina disse...

Aplausos!

spagueth disse...

Grande Nezzo...
Hip Hop Culture is my live

Cia Hackers Crew disse...

Hip Hop Cultura - RS
BinGooOOOO Abraço Nezzo
Respect!

Unknown disse...

Valeu mesmo!! Quem quiser contratar para seus campeonatos, eventos, festas de Hip-Hop ou Funky, liga (51) 8578-0216 ou manda um email para: ademirh2@gmail.com ou dá um toque no facebook https://www.facebook.com/DJNEZZO