quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Entrevista com Magú


Nest: Como e quando você começou na cultura?
Magú: Comecei em 1997, ganhei uma camiseta de uma antiga namorada, na época, tinha uma arma e um microfone na estampa e era da loja Spin Master. Uma grife que contribuiu muito pra cena de Curitiba. Ja ouvia alguns rap's então resolvi um dia conhecer essa loja, o vendedor era um Magrão com umas tranças meio doidas e uma viseira branca me atendeu tranquilamente e eu comecei e me informar sobre a verdadeira cultura com ele, passei a comprar itens da loja como desculpa pra adquirir informação. Ele me incentivou muito e mais tarde seguiu me dando apoio do jeitão calado dele, o nome desse cara é DJ Primo

Nest: O que te fez virar um MC? 
Magú: Eu queria exercer todos os elementos mas nada saia bom, na verdade muito saia abaixo da linha do ruim, muito por falta de conhecimento outro tanto por acumular os 4 elementos nas costas e querer saber de tudo. Enfim uma época eu consegui segurar a onda como B. Boy e nesse momento o meu colega na época de breaking Wagner topou rimar comigo, foi assim que surgiu o inicio. Muito mais historia tem por aí, é um pequeno resumo, afinal são 17 anos.

Nest: Você é considerado por muitos um MC completo, pois além de cantar e ter presença em shows, você improvisa, e apresenta eventos. Qual o segredo para desempenhar tantas funções?
Magú: Olha eu nem se sou tão completo assim, fico feliz pelas considerações e pretendo seguir me esforçando sempre como for possível. Mas o tempo e a auto-observação fazem com que você tenha um certo apuro no que pretende fazer, é legal citar que fontes diferentes enriquecem seu trabalho mais do que os cliches. Se você pesquisa apenas o que está em evidencia ou muito procurado pelos outros, pode seguir fazendo coisas parecidas. Fazer o que faço por amar a cultura é uma das coisas que me mantém na linha, caindo as vezes mas reiniciando sempre quando possível. Não tive medo de participar de shows de bandas de jazz, samba, rock etc. Estive sempre buscando ampliar os horizontes essa bagagem te da segurança pra tentar coisas novas sempre. Ou seja quando se trata de música e arte no geral é necessário mente aberta e coragem.

Nest: Quais os próximos projetos?
Magú: Estou com um disco pronto chama-se Homem Livre, foi gravado e será lançado pela SnareKick um selo independente de Curitiba - PR, e com produções de beatmakers curitibanos também. É um disco que fala sobre uma vida menos viciada em consumo em trabalho desregrado, sugere uma avaliação do que é importante de verdade. Foi inspirado em um documentário chamado '2012 time for changed'; Também consegui reunir amigos músicos para formar uma banda, é um coletivo que mistura varias vertentes da música com o Rap. Inspirados em vários trabalhos semelhantes que já existem tais como The Roots, Instituto, Hocus Pocus entre outros. Os ensaios tem sido excelentes e agora contaremos com o ultimo elemento confirmado, o grande DJ Baqueta, na guitarra Jonas, no baixo Amilcar, na percussão Leo fé e na bateria o mestre Felipe Miudo. 

Nest: Quem é sua maior inspiração na cultura e porque? 
Magú: Alexandre Muzzilo lopes - DJ Primo, Foi meu primeiro contato como já disse na primeira pergunta, mas teve outros momentos em que ele assumiu os toca discos pra mim ou pro meu antigo grupo de rap só por amar o que fazia, e um momento mais foda de todos foi um dia em que ele levou pra uma festa em que eu ia rimar o disco da Rocksteady crew com o instrumental da boogiedown bx, disse essa aqui eu trouxe pra você mandar sua rima. Caladão guerreiro independente, notava minha evolução e ressaltava sempre que conferia. Tanta coisa a dizer que, faltaria linha. 



Nest: Qual a importância de eventos como Battle In The Cypher para a cena do hip hop underground? 
Magú: Battle In The Cypher é um evento de resistência da cultura, sem enlatar, sem maquiar, sem super faturar ou menosprezar em nenhum momento a raiz. Simples e crú, como deve ser o que chamamos de real, não conheci eventos do mesmo porte feito com toda aquela energia e amor com que se traça um muro com um spray ou mesmo quando B.Boy/B.Girl mete uma inovação encaixando perfeitamente na música. A galera de varias partes se encontra e se abraça quase como se fossem parentes, ou melhor familiares. Isso ao meu ver é incorruptível, cultura pura. 

Nest: Para você o que é ser um MC? 

"Rappers fazem rap's mestres fazem shows,
teste-me me teste mc eu sou."

Magú: Esse é um refrão de um som chamado 'Verdadeiro MC' que sai no disco Homem Livre, fala sobre um sujeito que mesmo que precisasse vender sua perícia em rimar, apresentar eventos ou criar Rap's jamais deixaria de fazer quando não tivesse pagamento em dinheiro. Ser MC é não se conter ao ouvir uma batida mesmo sendo um beatbox feito por um leigo, é não levar tudo a serio de mais ou você não viveria os improvisos que canta, Ser Mc é apostar 17 anos da vida no que te alegra de verdade em fazer, chega a ser cômico o modo como respondo e enquanto vou escrevendo e pensando na resposta como a minha vida passa pela minha mente.

Nest: Deixe um recado para todos nosso leitores amantes da cultura Hip Hop.
Magú: Fomentem a cena com seu trabalho, quando fazemos nosso melhor damos exemplos positivos e inspiramos quem nos rodeia, acredito que isso seja a melhor forma de pagamento. Servir pra evolução alheia, nos evoluindo ao mesmo tempo. Obrigado Nest Panos, tamo junto! 

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Um comentário:

Nest Panos disse...

Cypher da Vico

https://www.youtube.com/watch?v=JxXki9y9W4c&feature=youtu.be