quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Faça a coisa certa DJ!

Com a palavra Dj Guimyts

Sempre que posso, posto em minha timeline no Facebook textos sobre alguns pensamentos que tenho sobre a cultura do DJ. Em uma publicação que fiz no dia 05 de Janeiro de 2017, citei algumas reflexões sobre atitudes e deveres de um DJ dentro da sociedade. O texto recebeu muitos comentários produtivos de pessoas que também compartilhavam das mesmas ideias. O post chamou a atenção do William que me convidou para escrever mais algumas palavras sobre o assunto aqui no site da Nest Panos.
Guimyts acervo

Minha paixão pela profissão DJ começou em meados dos anos 1990, quando meu irmão mais velho, Carlos Roberto, decidiu fazer uma festa em casa e convidou alguns amigos que eram DJ’s. O primeiro contato visual dos toca-discos sendo manipulados foi mágico. Meu irmão colecionava fitas K7 mixadas pelos amigos e logo, me tornei um aficionado. Passei a ouvir todos os programas mixados por DJs na cidade de Belo Horizonte e aprimorei meus ouvidos para níveis diversos de trabalho até que em meados de 2000 tive meu primeiro contato com toca-discos profissionais por meio dos DJs Orley Alves e Anderson Gomes.
Guimyts em 1999.

Posso dizer claramente que a partir daí, minha vida mudou. Tinha apenas 13 anos quando tudo começou e já sentia um tremendo respeito por aquela arte que estava aprendendo. A música, aliada a técnica era fascinante e isso mudou drasticamente os meus rumos. Comecei a colecionar discos, flyers de festas, reportagens e tudo que falava de Disc Jockey. Internet ainda era para poucos, mas persisti nessa colheita por informações mínimas, porém valiosas. Tornei-me um estudioso de tudo que envolvia essa profissão e por assim dizer, o Hip Hop como um todo.
A partir do desenvolvimento e do contato que tive com vários outros DJs da cena de BH, pude formar minha opinião sobre diversos assuntos e isso contribuiu muito com minha identidade. Tive a oportunidade de ver de perto DJs renomados na cidade atuando e isso serviu como incentivo para continuar um trabalho de conscientização e manutenção daquilo que vim a chamar de “Cultura DJ”. Comecei a refletir sobre qual deveria ser meu posicionamento dentro da sociedade sendo um DJ, uma vez que, não concordava com o fato de ser um mero animador de festas, sempre imaginei ser algo mais.
O aprofundamento histórico que fiz sobre o DJ e sobre o Hip Hop me trouxe muitas bases interessantes e a partir disso, comecei a perceber que o Disc Jockey poderia ser, não somente um animador de festas, mas um educador social, tomando como base todo seu conhecimento musical e técnico.
Arte do Diggin'.
Quando cito “conhecimento musical”, estou falando exclusivamente de estudo, ou seja, de Diggin’. O diggin’ ou garimpo, tanto no âmbito musical, quanto de informações é essencial para uma boa base. Como ser um DJ sem diggin’? Não vejo possibilidades de isso acontecer. No ponto de vista técnico, creio que todo DJ deveria se empenhar e mostrar o seu melhor, estudar a fundo os detalhes para apresentar um trabalho caprichoso e verdadeiro às pessoas. Não tem como o DJ não cativar pessoas com esses atributos. Um bom DJ é feito de uma combinação de variáveis muito sutis.
Há cerca de cinco anos, escrevi um texto reflexivo sobre o tema “O que é ser DJ?” no site do meu programa de rádio (Junto e Mixado) e lá descrevi algumas facetas que julgo necessárias para o amadurecimento das pessoas sobre a cultura do DJ:

1º – Sentimento: Sim, este é o primeiro ponto chave que forma um bom DJ. É ele que mostra o rumo das pesquisas e do estudo das técnicas, ou seja, do caminho a seguir. É através do sentimento e amor pela música e pela profissão que muitos ainda preservam a ética desta atividade, mantendo a cultura rica e viva.

2º – Pesquisa: Para ser DJ é necessário ter muita bagagem teórica. É muito importante ter conhecimento sobre equipamentos, história, curiosidades do meio e também sobre música em geral, sendo ela atual ou antiga, comercial ou não. Para ser DJ e se tornar um bom DJ é necessário muita, mas muita pesquisa!

3º – Técnica: Em terceiro plano, mas não menos importante, vem à técnica que exige acima de tudo dedicação, compromisso, treino e disciplina. Não basta somente o DJ se especializar em determinado ponto, como por exemplo, performance, mixagem ou produção. É expressamente importante que o profissional em formação domine ou tenha pelo menos conhecimento básico em cada um desses itens.

4º – Soma: Um DJ não é nada dentro de sua redoma de cristal, tocando para si mesmo. Não se torne um egoísta, pois a cultura do DJ não é somente de uma pessoa. Por isso some, divida o que aprendeu e construa o conhecimento com outros DJs. Seja humilde e ouça também os leigos no assunto, eles têm muito a dizer.

5º – Equipamento: É bom deixar claro que equipamento, seja ele antigo, novo, profissional, amador, barato ou caro nunca fez e nunca fará um bom DJ sem os pontos anteriores. É importante ressaltar que o equipamento nada mais é do que uma ferramenta do DJ, sendo assim, qualquer equipamento unido a um profissional disciplinado gera bons frutos.



A manutenção e disseminação desses princípios é dever de todo DJ que preza pelo desenvolvimento da cultura nas gerações futuras. Um erro muito comum entre os ativistas dessa arte é se fechar, guardar informações, devido ao medo da apropriação alheia indevida. São livros cujas capas não se abrem, infelizmente. Todo o DJ tem que entender que a informação tem de ser passada para que mais e mais pessoas se eduquem. Tudo bem! Entendo que muitos não são propensos a montar escolas ou escrever, sendo assim, promova festas, mas sempre buscando no trabalho algo que reflita nas pessoas inspiração. Como? Seja verdadeiro, vibre e toque de forma ética. Leve contigo a marca DJ com orgulho e dedicação e estará fazendo muito por todos que valorizam essa arte.

Promovi por algumas vezes workshops para o público da cultura Hip Hop, o que foi muito proveitoso, mas uma das experiências mais marcantes envolvendo DJ e educação que fiz foi durante um período que trabalhei em uma escola pública de ensino integral. Lá desenvolvi uma oficina prática de DJ com crianças carentes e pude influenciar alguns jovens, impossível não recordar da minha história. Esse só é um exemplo do que você DJ pode desenvolver além das festas, batalhas e cyphers. Você tem muito a ensinar, experimente!

Deixo aqui meus agradecimentos ao William pelo convite e desejo a todos os Hip Hoppers do Brasil meus sinceros votos de sucesso! Muito obrigado!

DJ Guimyts – Belo Horizonte/MG
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