A Incrível Coragem Atrás do Monitor | Nest Panos

A Incrível Coragem Atrás do Monitor

Publicado: 09/07/2019

A internet essa semana começou engajada em expor os ataques feitos na live oficial da Redbull na transmissão da Battle de B.girls do evento que aconteceu esse final de semana em São Paulo. A NEST repudia os comentários.


Dentro do breaking, infelizmente, algumas pessoas associam a dança á força, a ser o melhor quem dá mais voltas no flare, quem executa o movimento mais difícil, quem dá 20 voltas no ar pegando impulso só em um braço, etc... Também está associada à batalha de breaking a agressividade, nos gestos e no jeito de dançar, movimentos fortes e rápidos seguidos ~quase sempre~ da mão no juvenal, impondo um ataque ao adversário com o próprio órgão genital, o que se torna até cômico pois faltamos as aulas da rua, em todas as vivências e battles que participamos, onde se ensina que (grosseiramente falando) pegar no juvenal te faz melhor ou é algo relevante em uma entrada.

Mas enfim...

Na nossa construção de sociedade, aprendemos que tudo que é forte, tudo que se impõe confiante, tudo que se coloca como maior e capaz é masculino, e o frágil, fraco, incapaz e delicado é feminino.

Logo, quando associamos o breaking a força, a agressividade estamos fadados a achar que mulher não dança o que seria o mínimo satisfatório para o padrão de Breaking que construímos, mas na verdade, no fundo dessa história toda, o que a gente ACHA que é BREAKING, é que está ERRADO.



Não estamos dizendo que movimentos de força não são breaking, muito menos dizendo que mulher não faz movimentos de força, estamos dizendo que justo é quando você aplica decisões considerando as circunstâncias de cada  situação, afinal, não há motivo algum separar as battles de b.boys das de b.girls se não somos capazes  de enxergar o breaking acontecer em corpos diferentes expondo o que temos de melhor: nossa identidade e singularidade.

B.girls não dançam como homens pois não tem esse objetivo. Por isso não estão no "nível", não tem que estar. 

O breaking não se dança como homem, se dança como breaking... Como cada um opta colocá-lo no seu corpo. Mesmo tendo códigos, ele não é engessado, você aplica no seu corpo o que cabe nele e na sua vontade.


Há dentro da dança uma infinidade de características que podem ser ainda maiores do que a força: a criatividade, a musicalidade, o inesperado, a suavidade, a leveza, a identidade, a ginga, o seu flavor e feeling... Enquanto essas características não forem consideradas dentro do Breaking, continuaremos a achar que dançar "devagar" é um problema, que dançar um top rock bem feito é enrolação, que as mulheres não estão no nível.


Os comentário que surgiram na live representam apenas o machismo que infelizmente ainda existe no nosso mundo, aqui nos detemos a rebater apenas os comentários envolvendo dança, pois os outros (que não vem ao caso citar de tão baixos) só podemos repudiar e dizer que esse tipo de pessoa dentro da cultura não nos representa, misoginia não nos representa, sexismo não nos representa. Covardes, inconsequentes e insignificantes.


Gostaríamos de encerrar a matéria com uma foto que infelizmente ainda não saiu, mas que apareceu em um vídeo onde as meninas que competiram se abraçam todas, formando um círculo de abraços... A gente não tem como saber o que é pra cada uma de vocês viver com esse tipo de julgamento todos os dias, esse ano no Battle in the Cypher o lema era ACREDITANDO NA BATALHA, que fala exatamente dos corres de cada um para ser e fazer o que faz, com isso, gostaríamos de dizer que acreditamos nas suas batalhas, e temos plena convicção que, quem falou que as b.girls não tem nível, não entendeu o BREAKING e nem o que tá fazendo nele.


Um salve de geral da NEST pra mulherada que é Hip Hop.

Acreditem na batalha sempre.




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